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Fome cai 23,5% no Brasil, mas São Paulo ainda tem quase 1 milhão em vulnerabilidade

Levantamento do IBGE mostra queda da insegurança alimentar no país, mas revela que o estado mais rico do Brasil segue com 970 mil pessoas em situação de fome diária

Jane Smith
6/10/2023 12:00
8 minutos

Quase 1 milhão de pessoas ainda passam fome todos os dias no estado de São Paulo, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE. O número contrasta com o cenário nacional, em que o Brasil registrou queda de 23,5% na fome em 2024 e deixou o Mapa da Fome da ONU.

Segundo o levantamento, 409 mil domicílios paulistas — o equivalente a 2,4% da população do estado — vivem em insegurança alimentar grave, condição em que as famílias enfrentam a fome diariamente.

Em 2023, eram 508 mil lares (3%), somando 1,3 milhão de pessoas.

Desigualdade regional persiste

O estudo mostra que 6,48 milhões de brasileiros vivem hoje em situação de fome, contra 8,47 milhões no ano anterior, uma redução de 2 milhões de pessoas. É o menor nível de insegurança alimentar grave desde 2004, mas ainda há 18,9 milhões de famílias convivendo com algum grau de insegurança alimentar.

A fome é mais frequente nas regiões Norte (37,7%) e Nordeste (34,8%), enquanto o Sudeste apresenta taxa de 19,6%. Em números absolutos, o Nordeste lidera, com 7,2 milhões de domicílios afetados, seguido pelo Sudeste (6,6 milhões).

Perfil da fome

Os dados revelam que mulheres chefiavam 59,9% dos lares em insegurança alimentar e que pretos e pardos somam 70% dos responsáveis por domicílios afetados. Nos casos mais graves, os pardos representam 56,9%, mais que o dobro da proporção entre os brancos (24,4%).

A vulnerabilidade é maior em áreas rurais (31,3%), com taxa quase 10 pontos percentuais acima da observada em áreas urbanas (23,2%).

Mapa da Fome

A tendência observada pelo IBGE reforça o relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), que retirou o Brasil do Mapa da Fome em agosto. O país passou a ter menos de 2,5% da população em risco de subnutrição, após uma melhora que reflete dados de 2022 a 2024.

Mesmo com os avanços nacionais, o contraste entre o Brasil e São Paulo, que ainda concentra 970 mil pessoas em fome extrema, evidencia que a recuperação da segurança alimentar é desigual e ainda enfrenta barreiras estruturais nas grandes metrópoles e entre famílias de baixa renda

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Jane Smith
Redator